Em entrevista à Folha Online, David Placek explica em miúdos como cria nomes para produtos de grandes clientes junto de sua equipe de 26 pessoas (apenas em seu escritório) e de mais de 80 lingüistas espalhados por 40 países ao redor do mundo, os quais fazem análises para garantir que uma palavra em inglês, por exemplo, não tenha uma conotação completamente negativa quando levada para outra cultura.
Durante entrevista, David conta que o “naming” é requisitado por grandes empresas, como Apple, Microsoft e RIM. PowerBook, Zune e BlackBerry, produtos dessas três marcas, foram nomeados por Placek e sua equipe ao longo de 26 anos de atividade –no total, ele estima já ter dado nome a 2.000 negócios.
Dentre as curiosidades citadas, Placek revela que toda grande empresa enxerga o nome de um produto como algo vital para sua estratégia e que nomes simples, de fácil pronúncia e que nem sempre existem no dicionário são as que surtem mais efeito.
Para nomear o produto que hoje conhecemos por Blackberry, a empresa especializada no assunto notou, através de pesquisas, que quando as pessoas eram questionadas sobre o termo “e-mail”, sua pressão sanguinea subia. Assim, iniciaram o processo de “naming” ao imaginar um processo de comunicação prazeroso. Chegaram à conclusão de que a letra “b” inspira confiança, preto (black) remete a cor industrial, tecnológica e berry (cereja) é algo fácil de se pronunciar. Por fim, associaram as teclas do teclado de um computador a sementes da pequena frutinha.
O resultado desta salada, após o investimento de 50 a 150 mil dólares? O famoso nome.
Todos estão familiarizados com a história que ganhou fama no YouTube do cantor que teve seu violão quebrado pela United Airlines.
Se você não conhece, o cantor Dave Carrol, da banda canadense Sons of Maxwell embarcou num vôo da United para uma turnê em Nebraska. Porém, seu violão – um Taylor de aproximadamente US$ 3.500,00 – foi avariado seriamente pelos carregadores de bagagem da United.
Resumo da ópera: Ele reclamou e a empresa se negou a pagar pelos danos. Sem muito que fazer, ele resolveu criar uma canção e um clipe sobre o ocorrido, colocou no YouTube e, por fim, virou um dos grandes fenômenos do ano na Internet.
Veja a ironia: Até esse momento ninguém sabia quem eram “Os Filhos de Maxwell”, e eles poderiam ter continuado anônimos se simplesmente a United tivesse pagado o prejuízo do cantor, que convenhamos, não era muita coisa frente o estrago causado por ele depois.
O que aconteceu então?! No período de 06 de julho de 2009 até hoje o vídeo “United breaks guitars” no YouTube teve 5.612.902 (Cinco milhões, seiscentas e doze, novecentas e duas exibições) já o comercial da United teve 47.942 (Pouco mais de quarenta e sete mil) desde 10 de agosto de 2008, mais de um ano antes. Além disso, boa parte dos comentários sobre o comercial da United fala que ela quebra violões.
Qual é o preço para recuperar a imagem da marca? Não há fórmula para se calcular isso, pois além do prejuízo imediato (pessoas voando com outras companhias) há o intangível que é o valor da marca, patrimônio mais valioso de qualquer corporação.
Isso nos mostra que “pequenos prejuízos” se tornam dívidas impagáveis. Hoje o poder está nas mãos do consumidor, por isso, as empresas devem tratá-los com o máximo respeito, para não amargar as consequências desastrosas de uma atitude mal pensada; não há empresa grande o suficiente que a Internet não seja capaz de derrubar.
Falta às empresas a capacidade de compreender que de nada adianta gastar milhões em campanhas publicitárias maravilhosas, se ela não é capaz de entregar o que promete, já que, do dia 06/06/2009 em diante, a United passou a ser a “empresa que quebra violões” e o melhor, não precisou pagar 1 centavo sequer pelo slogan.