Em entrevista à Folha Online, David Placek explica em miúdos como cria nomes para produtos de grandes clientes junto de sua equipe de 26 pessoas (apenas em seu escritório) e de mais de 80 lingüistas espalhados por 40 países ao redor do mundo, os quais fazem análises para garantir que uma palavra em inglês, por exemplo, não tenha uma conotação completamente negativa quando levada para outra cultura.
Durante entrevista, David conta que o “naming” é requisitado por grandes empresas, como Apple, Microsoft e RIM. PowerBook, Zune e BlackBerry, produtos dessas três marcas, foram nomeados por Placek e sua equipe ao longo de 26 anos de atividade –no total, ele estima já ter dado nome a 2.000 negócios.
Dentre as curiosidades citadas, Placek revela que toda grande empresa enxerga o nome de um produto como algo vital para sua estratégia e que nomes simples, de fácil pronúncia e que nem sempre existem no dicionário são as que surtem mais efeito.
Para nomear o produto que hoje conhecemos por Blackberry, a empresa especializada no assunto notou, através de pesquisas, que quando as pessoas eram questionadas sobre o termo “e-mail”, sua pressão sanguinea subia. Assim, iniciaram o processo de “naming” ao imaginar um processo de comunicação prazeroso. Chegaram à conclusão de que a letra “b” inspira confiança, preto (black) remete a cor industrial, tecnológica e berry (cereja) é algo fácil de se pronunciar. Por fim, associaram as teclas do teclado de um computador a sementes da pequena frutinha.
O resultado desta salada, após o investimento de 50 a 150 mil dólares? O famoso nome.
Mais uma exemplo de como se investe pesado em mídia externa nos Estados Unidos e como os resultados são fantásticos. São os Mestres do Marketing mostrando mais uma vez que para ser grande é preciso ser bom e não há retorno sem investimento.
O Grand Cassino de Madrid criou uma campanha simples e criativa para aumentar o fluxo de pessoas nos cassinos, principalmente entre as “slot machines”, aquelas maquininhas onde o desafio, para ganhar o prêmio, é juntar três simbolos iguais.
Na ação “Luck is everywhere” o cassino criou painéis imitando as telas dos slot machines em pontos estratégicos de Madrid. Posicionados sobre viadutos, os painéis tinham 3 buracos. Por ali você via os carros passando na avenida abaixo. Quando os carros parassem no farol vermelho, se três da mesma cor aparecessem nos buracos, a pessoa deveria fotografar e mandar por SMS para o cassino, concorrendo assim a 80.000 euros.
15.000 pessoas flagraram 3 carros da mesma cor e enviaram por SMS. E como toda ação de comunicação tem como objetivo o resultado, o movimento no cassino aumentou 10% e entre as maquininhas da sorte 16%.
Já pensou andar por aí na rua e ser ofendido de algum modo por um outdoor, busdoor ou frontlight? Pois os britânicos já pensaram e agiram.
Na imagem acima temos o famoso ônibus londrino com a veiculação, que diz de uma maneira menos literal e sem as entrelinhas que as mulheres de carreira fatalmente serão péssimas mães.
Essa controvérsia saiu as ruas em cartazes, outdoor e busdoor na segunda-feira.com a intenção de divulgar um “fórum” chamado Britain Thinks, aonde eles podem discutir alguns tópicos interessantes.
Mas e aí, qual a ideia por trás disso, divulgar o site e irritar as pessoas? Não! A ideia é mostrar que a mídia externa ainda serve como um veículo de comunicação. Tudo isso foi projetado pela OAA-UK (the Outdoor Advertising Association) e a agencia Beta. E por falar em ofensa e agressão gratuita, umas das linhas de comunicação mostra a seguinte frase:
1966. Isso não vai acontecer novamente este ano
Referência ao título da seleção da rainha na Copa de 1966 e que esse ano não será deles o caneco. Abusadinhos né? Provavelmente isso vai irritar mais do que provocar as “Mums” britânicas.
No Animal Kingdom, parque do complexo Disney voltado aos animais, é vendida a ecobag da Disney. Com o slogan “Every Tree Has Character”, a mensagem faz um trocadilho com a palavra “character” que além de “caráter ou personalidade” também é sinônimo de personagem (de desenho animado). Mais uma das grandes sacada dos “Mestres do Marketing”. E é claro, vende como água como tudo dentro do complexo (e fora dele). Todo dinheiro arrecadado com a venda desses artigos vai para o fundo Disney de Conservação da Natureza. Isso prova que dá para ser ecológico e bacana ao mesmo tempo.
No último dia 20/12 São Paulo recebeu um evento diferente: o Disney “Magical Moment” ou “Momento Mágico Disney” patrocinado pela Nestlé e que serve de aquecimento para os posts que virão nas próximas semanas.
Segundo a Polícia Militar, o desfile (ou parada, como é chamado nos parques da empresa) foi visto por nada mais nada menos que 1 milhão de pessoas. Pelo trânsito que se formou na marginal Tietê pode-se imaginar que seja mesmo preciso esse número.
É a primeira vez que a Disney Co. traz esse evento para o Brasil, e antes de São Paulo a parada passou por Vila Velha no Espírito Santo e Rio de Janeiro. Para 2010 o evento já está confirmado em 7 cidades.
Isso mostra que, de fato, o Brasil está cada vez mais nos planos da empresa. Ainda não a ponto de construírem um parque por aqui, já que vão levantar mais um na China, mas a ponto de ser olhado com o carinho que merece há muito tempo. Afinal, somos a terceira nacionalidade que mais visita Orlando e consumimos uma enormidade de produtos da empresa aqui no Brasil.
Qual a idéia por trás da ação? Um “Sampling” de mega proporções. Dar um gostinho das paradas mundialmente famosas que acontecem nos parques da empresa no mundo inteiro e que muitos só viram pela TV. E com isso, estimular compra de produtos, aumentar a simpatia pela marca e por fim, levar mais brasileiros aos parques.
Não sejamos hipócritas, porém em achar que o público que se aglomerou na Avenida Santos Dumont em pleno domingo à tarde com o sol a pino é o mesmo público que lota as vôos com destino ao mundo encantado, não é. Claro que não se pode generalizar e no mundo dos negócios “quem vê cara não vê bolso”. Assim, como os financiamentos para viagem cada vez mais longos e com parcelas que “cabem no bolso” os americanos não perderam tempo e se “Maomé não vai até a montanha trouxeram a montanha até Maomé”.
Como disse antes, é uma decisão estratégica que vai muito além de atrair público para os parques. A idéia é: seja o onde for gastar, que seja com um produto Disney.
E por trás de tudo isso, uma recado muito claro para nós simples mortais: se a Disney vai às ruas atrás de seus clientes, ficar parado a espera de um milagre é letal.
Não é segredo para ninguém que Walt Disney foi um grande gênio (para mim um dos maiores entre os maiores). Porém, o que muita gente não sabe é que ele não foi apenas um grande mestre na indústria cinematográfica e do entretenimento, mas foi um mestre que revolucionou a maneira de se pensar e gerir uma empresa e assim transformou o mercado e criou o maior império da indústria do entretenimento do mundo.
Na década de 50, quando Walt idealizou e construiu a Disneyland em Anheim na Califórnia, ele implementou mudanças “sutis” na gestão de sua nova empresa que são aplicadas até hoje em empresas gigantes modernas.
É o gênio multimídia: revolucionou o cinema, o entretenimento, tecnologia, o turismo, os transportes e a administração de empresas.
Com um conceito relativamente “simples” ele percebeu que para convencer seus “clientes” de que eles estavam em um mundo de fantasia, em uma realidade paralela, ele teria primeiro que convencer seus funcionários. E aí nasceu a filosofia que a Disney aplica até hoje e que provou funcionar muito bem: na Disney não há empresa, local de trabalho; é tudo um grande show e sendo assim, se você fas parte do show (funcionário) você é um “Cast Member” (membro do elenco). Se está em contato com o público, está “On Stage” (no palco) e se está nas áreas de serviço está “Off Stage” (nos bastidores). A filosofia é levada tão a sério que todas essas nomenclaturas constam nos contratos de trabalho.
Além disso, outro conceito levado muito a sério por lá é o “magical moment”, ou seja, cada “Cast Member” proporcionar um momento único, pelo menos uma vez no dia a um “Guest” (convidados: nome dado aos clientes) e mais importante de tudo, jamais deixar o encanto se quebrar; se uma criança derrubou um sorvete e está chorando, dê-lhe outro de graça o mais rápido possível.
Mais importante que tudo isso é a “liderança pelo exemplo”, ou seja, para liderar é preciso saber fazer e o bom funcionamento das coisas é dever de todos. Por isso, se você vir um alto executivo da Disney recolhendo lixo, não estranhe, é assim desde 1955.
O legado permanece vivo e o império de um tamanho que nem o próprio Walt deve ter imaginado. A Disney Co. continua sendo a empresa a ser seguida e copiada; invejada pelos admiradores e odiada pelos concorrentes, a cada ano mostra porque seus executivos são Mestres do Marketing e surpreendem com algo novo e incrível.
Entre os dias 25/12 e 15/01 trarei diretamente do coração do império informações, novidades e tendências do que esses malucos estão fazendo por lá. Além de novidades do mercado americano que abriga muitos outros Mestres do Marketing.
Até lá.
Renato De Vuono – É “Disney Freak” assumido e trabalhou no Walt Disney World Resort em 2005
No Cinemark do Shopping Market Place e do Shopping Villa Lobos o público poderá vivenciar a sensação de estarem no interior de um avião. As sala de cinema foram transformadas para quando as luzes se apagarem, janelas que foram montadas nas laterais da sala se acendam e façam com que as pessoas se sintam como se estivessem a bordo. Ouve-se o som característico dos avisos dentro de um avião e os roncos do motor.
Enquanto rola todo esse brand experience no ambiente, na tela o texto anuncia um diferencial da empresa aérea: a Emirates tem o melhor entretenimento a bordo do mundo com 1.200 atrações entre filmes novos, clássicos, séries de TV, shows, músicas e games.
Confiram abaixo um vídeo da ação, e algumas fotos no Flickr.