Estava na cara que o novo comercial da Nissan Livina estava ousado demais para os moldes do nosso mercado.
Mesmo sabendo que os brasileiros não gostam e há regras contra esse tipo de propaganda, vez ou outra agências e anunciantes resolvem arriscar-se.
Dito e feito, o CONAR suspendeu ontem a veiculação do filme até o julgamento. A Lew Lara/TBWA já tem 2 planos alternativos “na manga”.
Sem entrar na questão do bom gosto, pessoalmente acho uma grande bobagem essa coisa do “políticamente correto” da cultura brasileira, um país que deveria gostar mais de expor do que deixar “subentendido” – dado nosso histórico. E mais grave ainda, sob muitos aspectos, essas suspensões são uma forma de censura, já que o comercial não ofende, de fato, ninguém. Mas fatos são fatos, e comparações não são bem vindas por aqui – lembrem-se que a Hyundai foi obrigada a mudar seus comerciais também, que lá fora, foram veiculados livremente.
Nada como ver o motivo da rusga e tirar suas próprias conclusões.
Esse será um dos poucos posts “free style” do Blog Galileo. Isso significa que ele não será pautado por nenhuma matéria de outro veículo ou meio de comunicação, apenas pelas opiniões de seu autor.
Sempre soubemos que o calcanhar de Aquiles do Brasil é a corrupção. Ela prejudica o país em todas as esferas, consumindo recursos preciosos para sustentar pessoas mal intencionadas. E quando se fala em corrupção, seu sinônimo imediato é a política.
Há políticos bons, claro, deve haver. Mas eles ficam escondidos nas entranhas de um sistema condenado e pouco podem fazer. E assim, temos que nos contentar sempre com os menos ruins que estão entre as figurinhas carimbadas.
O que isso tem a ver com comunicação? Tem tudo a ver. Política é 100% comunicação. O povo é convencido “no gogó” de que um é melhor que outro. E para um povo “desmemoriado” como o nosso, essa é uma tarefa um tanto quanto simples: basta pegar uma “meia verdade”, transformar em verdade e colocar uma bela trilha sonora com imagens dramáticas.
Há um filme que retrata isso, chama-se “O Quarto Poder”. Ele fala do poder da comunicação, nesse caso, a imprensa. Nós comunicadores temos que ter cuidado ao escolhermos de que lado estamos e como contribuímos com tudo isso.
Todos nós achamos graça ao vermos “artistas” e “celebridades” do segundo escalão “abrilhantarem” os tão monótonos horários eleitorais. Mas isso não deveria ser motivo para piada, deveria ser motivo para consternação geral. E ainda há quem se pergunte porque o país não é levado a sério.
O Brasil tem um enorme potencial, pena que há esse desperdício de energia boa com causas ruins.
É comum ouvir a expressão “isso é marketing” para dar um nome bonito para uma mentira – ou exagero – contado por uma empresa em um comercial de produto. Há até o caso de uma montadora que anunciou um carro com itens de série inéditos no seguimento a um preço surreal e depois voltou atrás. E ao questionar às conscecionárias a resposta foi emblemática: “o carro é excelente, mas dizer que vem 8 airbags por aquele preço…é marketing!” Isso é preocupante, pois marketing virou sinônimo de mentira branca – aquela que não causa mal e é por uma boa causa, se é que isso existe – e a propaganda virou a ferramenta de disseminação desse “marketing”.
E a política é assim, se utiliza da propaganda para disseminar seu “marketing” sujando cada vez mais o nome de todo mundo que está envolvido com esse mercado e fazendo com que nós comunicadores nos tornemos por tabela os “mentirosos sem maldade”.
Todos nós estamos acostumados a ouvir falar das redes sociais em nosso dia a dia, mesmo que não as utilizemos. Com o passar do tempo a internet atingiu a política de maneira a se transformar em uma ferramenta fundamental no desempenho dos candidatos a cargos públicos em suas campanhas.
Claro que as coisas por aqui andam em outro ritmo, mas nessa eleição presidencial há dados e matérias importantes sobre o impacto da internet e suas redes sociais nas campanhas dos candidatos à presidência.
No mundo, a participação mais marcante e importante das redes sociais em uma eleição, foi sem dúvida nos Estados Unidos na campanha do atual Presidente Obama. Muitos especialistas em marketing político são categóricos em afirmar que a internet foi decisiva na vitória de Obama, em um país cujo acesso à rede é enorme. O conservadorismos dos Republicanos ao se restringirem aos meios tradicionais, com uso discreto da internet só potencializou os efeitos da campanha dos Democratas.
Claro, que a sede por mudança dos americanos ajudou – e muito – para o resultado que o mundo viu. Mas para se ter idéia, Obama arrecadou 87% dos recursos para sua campanha via internet, só em setembro de 2007 foram 100 milhões de dólares e o mais interessante é que, a grande maioria dos internautas doou menos de 100 dólares, o que nos dá uma dimensão do volume se acessos.
Melhor de tudo isso é que, Obama investiu cerca de 2% de seu budget total em suas ações on line.
Enquanto isso no Brasil, vemos a Dilma disparada na frente dos demais. Coincidência ou não, ela também é campeã do Twitter – segundo pesquisa da empresa E-Life.
Por outro lado, Marina Silva, uma das lanternas da competição, é considerada a candidata que melhor usa os meios digitais para promover a sua campanha e é quem tem a melhor aprovação entre os internautas.
Claro que os meios tradicionais ainda tem grande influência, mesmo sobre a internet. Um exemplo disso foi a redução dos comentários negativos sobre José Serra após sua entrevista ao Jornal Nacional, melhorando assim sua imagem.
Como vemos, o sucesso, seja de uma marca ou de um candidato, depende do uso das diversas ferramentas de comunicação de maneira integrada e com um planejamento que beire a perfeição. E, não podemos jamais, duvidar ou ignorar o poder da internet, pois ele pode ser o fator decisivo entre o sucesso e o fracasso.
A AT&T é uma das operadoras de telefonia mais globalizadas e inovadoras do mundo. É uma das poucas presentes em quase todos os continentes, o que significa grande alcance de cobertura e mobilidade para seus clientes.
E recentemente lançou uma campanha cuja direção criativa merece destaque pelo bom gosto e simplicidade.
Cartão de visita é algo comum, que todo mundo tem e raramente se vê algo novo e além disso, as tentativas de se fazer algo novo, via de regra, criam pequenos monstros.
As agências torcem o nariz e fazem o básico; não compromete mas também não acrescenta nada.
Eis que em meio a esse marasmo, alguém resolveu mostrar que é possível se fazer algo criativo e que consiga transmitir muito sobre a empresa no cartão de visitas.
Vejam o que a Y&R fez para a TAM Cargo. Simples e muito legal.
Esse é o segundo post essa semana sobre o mesmo tema: falha grave do departamento jurídico dos anunciantes (e porque não dizer, das agências?).
A campanha da Skol das latinhas que “falam mal de argentinos” não pegou bem e o Ministério Público de MG “recomendou” à Ambev retirar a campanha do ar. Em nota a Ambev disse que a campanha já havia acabado antes da recomendação do MP; mas que foi um tremendo gol contra, isso foi.
A rivalidade Brasil x Argentina é divertida se tratando de futebol, mas quando ultrapassa esse limite é algo que não pode e não deve ser tolerado.
“De acordo com a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), de fato, a propaganda da Skol possui duplo caráter discriminatório, tanto em relação à nacionalidade quanto por seu caráter homofóbico, já que o termo ‘maricón’, ‘também no léxico hispânico, significa maricas, homem efeminado, aquele que é homossexual, medroso, covarde’”, diz o MP em nota.
As pessoas tendem a deixar suas paixões atrapalharem suas decisões profissionais, e esta é a prova que isso acontece em empresas de todos os portes. Qualquer conteúdo discriminatório deve ser banido de qualquer tipo de comunicação, pois uma simples brincadeira pode acabar em violência, já que, mais uma vez, as pessoas tendem a deixar suas paixões atrapalharem seu julgamento.
Brasileiro não gosta de comparações explícitas. Somos um povo que prefere as mensagens nas entrelinhas; que apesar de ter um educação bem questionável, gosta do “politicamente correto” – para não dizer hipocrisia.
Isso é muito claro na propaganda; comparações entre duas marcas não são bem vistas pelo público e o reflexo disso, não são permitidas pela legislação.
Recente episódio foi protagonizado pela Rayovac e Duracell. A primeira fez a propaganda e a segunda… entrou na justiça.
A Duracell se baseia na lei que não permite a exposição de uma marca sem a autorização da outra – que é o mesmo que fazer uma lei proibindo esse tipo de propaganda – e pelo uso incorreto de seu logotipo. Pessoalmente, acho isso uma tremenda bobagem. Desde que a comparação seja justa e não se faça nada para denegrir a marca concorrente, comparações são saudáveis.
Fora do Brasil esse tipo de comunicação é comum, apreciada e já redem bons comerciais. Mas essa é uma questão cultural e aqui não funciona. Até aí tudo bem, o publico seleciona o que quer ver. Mas o que não está certo é haver proibição, que não deixa de ser uma espécie de sensura.
Veja abaixo como é possível fazer um bom comercial nesses moldes.
A DPZ entrou com uma denúncia de plágio contra a campanha criada pela AlmapBBDO para a Gol Linhas Aéreas. Segundo a DPZ, suas ações criadas para a Azul Linhas Aéreas foram copiadas pela concorrente.
O CONAR concordou com a denúncia e a campanha foi tirada do ar.
Apesar da máxima da propaganda ser que “nada se cria, tudo se copia”, é de deixar qualquer um perplexo ver esse tipo de ocorrência nos altos escalões do mundo empresarial. Sem julgar os envolvidos, mas levando em conta a seriedade do CONAR, alguma coisa de fato não estava certa.
Não é só o Parreira e o Dunga que são retranqueiros. Nosso Banco Central também gosta dessa filosofia.
Parece contraditório que com um cenário favorável e a economia crescendo como jamais aconteceu, o BC insista em aumentar os juros e venha a público dizer que a situação econômia está em plena desaceleração (não, você não leu errado).
Se nossos juros já não fossem os mais altos do mundo, seria compreensível “frear” a economia; mas fazê-lo numa economia problemática e cheia de gargalos é estranho. Sim, há o fantasma da inflação, porém há também um conservadorismo além do necessário.
O que teria que ser revisto são os gastos do governo, esses sim são um problema econômico e só crescem a cada ano. Aí um freio seria mais que bem vindo, para que o povo não precise de um.
Aliás, o governo brasileiro tem uma postura paternalista irritante. O povo sabe cuidar muito bem de seu dinheiro, muito melhor que o governo.
Para todos nós seria ótimo que o Banco Central parasse de jogar na defesa e por outro lado o governo gastasse menos e melhor nosso dinheiro, para que aquele pouco que ainda sobra em nosso bolso, ninguém tivesse que nos dizer o que fazer com ele.